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Quando as Coisas Mudam de Lugar

Composição: João de Azevedo
Música: Demodee

Justo quando cogitei deixar de mão,
E quis acreditar no tempo que perdi,
Quando a vontade quase me cega a razão:
Quando as coisas mudam de lugar.

Antes de te encontrar, eu – quase cego – vi.
Antes de te enxergar, eu quase me perdi.
Quis ver, num vazio de sentido, a solução.
Quando as coisas mudam de lugar.

Se por ventura um dia eu te magoar,
Peço, por favor, não tente compreender.
Mas lembre-se das coisas que eu te fiz ou disse – tudo foi real.

Se ela soubesse as coisas todas que passei,
E o quanto eu lutei pra resistir…
E as distrações às quais eu nunca me entreguei,
Pois que eu iria te encontrar, sempre pensei.

Se por ventura um dia eu te magoar,
Peço, por favor, não tente compreender.
Mas lembre-se das coisas que eu te fiz ou disse – tudo foi real.

 

Quixote

Composição: João de Azevedo
Música: Demodee

Enquanto você olha As horas
passam por você Cada sonho que Já foi
o tempo de sonhar em vão.

Você me diz que nada tem mais jeito – ou perdão.
Eu me desfaço em argumentos – você, não.
Enquanto você chora, eu não sei o que dizer.
Peco em aceitar, e só te escutar – só agora, eu sei.

Tola, você vem dizer que não merece tanto.
Desde quando alguém faz por merecer?!
Sou teu cavaleiro alado, teu amigo nada herói,
pois quando você chora, eu não sei o que dizer.

Eu só queria ser o teu espelho
– poder te fazer ver como eu te vejo.
É bem melhor acreditar quando eu te digo:
sou teu cavaleiro alado, teu amigo nada herói,
pois quando você chora, eu não sei o que dizer.

Peco por querer.
Se não pude evitar, juro: eu tentei.

Etílica

Composição: João de Azevedo

Se você soubesse como, hoje, me senti
não sei se sentiria-penas irias rir de mim.
Como pode ser assim,
se eu te dei tudo que eu sou?

Um verso mal rimado;
Um desenho mal traçado;
Três ou quatro (mil) palavras que me lembram(:)
qualquer coisa de você deixou em mim um vazio, essa dor.
E eu já nem sei mais viver a vida, senão pelos olhos teus.

Um verso mal-rimado;
Um desenho mal traçado que,
a seco, em meu peito, você bordou;

E o que, de mim, restou?
Eu já nem sei mais
viver a vida, senão pelos olhos teus.

Você me apareceu
e fez sumir tudo ao redor.
Eu quis brincar de faz-de-conta-que-eu-consigo-te-esquecer
E assim, meio que por querer,
deixei você se apossar de mim.
Hoje, meu bem, sou dependente de você.

Tua

Composição: João de Azevedo
Música: Demodee

O que de mim será,
se eu não encontrar um jeito pra dizer
todas as frases clichês que o teu rosto me ensinou?
Eu nem quero imaginar.

De que adiantaria ter as estrelas lá de cima e o luar,
sem ter o céu da tua boca e os teus lábios pra beijar?
Eu sei: quase nada, meu bem.

E por que mais eu iria tentar te esquecer,
se eu vivo a procurar motivos pra lembrar do teu rosto,
e do teu olhar? Eu sei.

E por que mais eu iria querer um outro alguém,
se foi no teu sorriso que eu reencontrei a razão
pra não procurar motivos pra sorrir?

Olimpo

Composição: João de Azevedo

Há de fazer crer ser pouco
ter meu mundo ao teu colo.
E dizer, já quase rouco,
das coisas todas do teu corpo.

Que no escopo dessa trama,
valha, mais que a pele, o toque.
Nada mais importe, o medo, a dor.
Enfim, a morte.

Ah, se eu morro nos teus braços,
me sinto um semideus no Olimpo,
peço a Zeus: me deserdar, mudar, de vez, pro teu…

Deixa o tempo vir dizer
Quanto, quanto dele, em você, existe.
Quanto, quanto, quanto vale o quanto choras, quando triste?
Até quando e quanto mais, até que não hesites?
Quanto, quanto, quanto? E quanto a mim?

(Ah, e o que dizer de toda paz que ela me traz?
Mais que o não-respirar – que é, só você, motivo –
pode se aferir: enquanto ele te fere, eu quase, quase, quase vivo.)

Deixa o tempo vir dizer
Quanto, quanto dele, em você, existe.
Quanto, quanto, quanto vale o quanto choras, quando triste?
Até quando e quanto mais, até que não hesites?
Quanto, quanto, quanto? E quanto a mim?

Deixa que eu vou te dizer:
Quanto vale o amor de uma mulher depois que tira a roupa?
Tem prazo de validade, tudo que é sem densidade.
Ser louco por ti já é prova de sanidade.
(às vezes chego a cogitar pensar, e quase concluir achar
– talvez nem dê para notar: você mexe comigo.)

Lado Teu

Composição: João de Azevedo

Vou-me embora pr’onde a saudade faz a curva,
meia-volta pra qualquer lugar.
Pr’onde? Não sei onde.
Já não sei se perto ou longe. Sabe, pode variar.

Vou-me embora pr’onde nada é triste,
e a felicidade existe só pra me alegrar.
Pr’onde? Não sei onde.
Já não sei se perto ou longe. Sabe, pode variar.

Não julgue o modo com que vou partir, amor.
Deixa, que hoje eu faço a minha hora.
Vai pr’aquela porta agora,
que estou prestes a chegar pra fazer do céu, nosso lugar.

Guarde todo amor pra mim.
Fugindo, estou, pr’onde a saudade aponta.
Faz de conta que esteve a me esperar.
Guarde cada beijo, teu desejo,
que eu desejo nunca te deixar!
Faz de conta que esteve a me esperar.

Não julgue o modo com que vou partir, amor.
Deixa, que hoje eu faço a minha hora.
Vai pr’aquela porta agora,
que estou prestes a chegar pra fazer do céu, nosso lugar.

Guarde todo amor pra mim.
Fugindo, estou, pr’onde a saudade aponta.
Faz de conta que esteve a me esperar.
Guarde cada beijo, teu desejo,
que eu desejo nunca te deixar!
Faz de conta que esteve a me esperar.

Vou-me embora pr’onde o vento faz a curva,
pr’onde a saudade apontar.
Tudo “verge” e curva,
Tudo aponta e desponta pr’onde o meu amor está.

A Menina e o Caixeiro-Viajante

Composição: João de Azevedo

“A andar nessa vida, aprendi:
gostar de tudo que vejo,
mas quem mais desejo,
eu deixo com um beijo e sigo – pra lá.”

“E eu, que a muito te vejo sumir
– na costura do céu com a terra –
fiz guerra pra vida reaver o teu riso pra mim.”

“Mas, meu bem, não chora,
pois já chega a hora:
caminho de volta se mostrar.”

– Abre a porta.
– Põe a mesa. E a tristeza vai passar.
– Se a saudade fizer sala?
– Diz que eu estou pra chegar.
– Volta logo, não demora!
Me traz um nascer do sol de lá.
– Aqui, meu peito há muito chora não te ter, Me(nina)r

– Abre a porta.
– Põe a mesa.
E a tristeza vai passar.
– Se a saudade fizer sala?
– Diz que eu estou pra chegar.
– Volta logo, não demora!
Me traz um nascer do sol de lá.
Aqui, meu peito há muito chora não te ter pra me ninar.

– Volta logo!
– Não demora!
– Te trago o nascer do sol com o mar.
Aqui, meu peito há muito chora não te ter, me(nina)r.  

Alice

Composição: João de Azevedo

Abre os olhos – e a janela.
A boca aberta, diz coisas demais!
Disfarço o espanto e, no meu canto,
movo peças de um xadrez sem rei,
onde bispos são bromélias e chacais.

Mil deslizes – que desculpa!
Vejam, pois! Eu nem me apresentei!
Não por isso! Noves fora,
eu não passo de um caubói sem lei
sob a face de bandido capataz.

Alice, eu não vou mais tentar te entender.
Os teus caminhos, eu não ouso mais prever.
Só assim eu vou fazer parte do teu sonho ideal.

Alice, eu não vou mais tentar te entender.
Os teus caminhos vãos são quem me fazem crer:
mesmo sem me ver, nos teus sonhos,
eu já sou mais que real.

Te despir – das tuas dores.
Curvas nuas – de amores.
Em cores quase mortas,
o vazio representa a lenta chaga de viver
sem sonhos.

Não vou mais tentar te entender.
Os teus caminhos, eu não ouso mais prever.
Só assim eu vou fazer parte do teu sonho ideal.

Alice, eu não vou mais tentar me entender.
Os meus caminhos eu não ouso mais prever.
Só assim eu sou, dos meus sonhos, o que for mais irreal.

Sobre Jogos de Não-Dizer

Composição: João de Azevedo
Música: Demodee

– Obrigado, com licença, por favor.
– Opa, quanto tempo! Como vai você?
Na verdade, quase tudo nada bem.
Mas, me diz, o que é que eu ganho por dizer?

Eu me calo, e fico mudo – a pensar.
Faço conta, decidindo o que dizer.
Peso prós e contras – julgo não falar.
Tudo isso por medo de revelar

As coisas que eu não digo.
Coisas que eles não dizem.
Coisas que ninguém vai saber
– sobre jogos de não-dizer.

Eles não dizem “eu te amo”
que é pra vocês não saberem que os tem em suas mãos.
Elas se fazem de difíceis por pensar
que só assim podem lhes roubar atenção.

E um não diz o que o outro quer ouvir,
só pra fingir serem mais fortes do que são.
Socialmente, é tão mais fácil odiar
– disso, ninguém tem vergonha de falar.

As coisas que eu não digo.
Coisas que eles não dizem.
Coisas que ninguém vai saber
– sobre jogos de não-dizer.

As coisas que eu não digo.
As coisas que eu não digo.
Há coisas que eu não digo.
Há coisas que eu

Conto sem Fadas

Composição: João de Azevedo
Música: Demodee

Olha esse copo, já vazio, me dizendo
que eu devia retornar enquanto há tempo.
Há tempos que eu não vejo você…
…Enquanto isso, eu tentei me encontrar em outros copos,
outros corpos, mas você…

Pega a minha mão.
Me diz pr’onde você quer que eu vá, já fui.
Tô chegando a galope pra te ver.
Encharcado de saudade, te abraçar.
Esperando, nos teus olhos, encontrar a paz que eu procurei,
mas não encontro em outro olhar. Me perdoa, amor…

Olha esse copo, já vazio, me dizendo
que eu devia retornar enquanto há tempo.
Há tempos que eu não vejo você…
…Enquanto isso, eu tentei me encontrar em outros corpos,
outros copos, mas você…

O teu travesseiro, agora frio,
tá dizendo que, sem ti, minha alegria tá morrendo.
Há tempos que eu não vejo você…
Enquanto isso, eu tentei me encontrar em outros corpos,
outros copos, mas você…

Pega a minha mão.
Me diz pr’onde você quer que eu vá, já fui.
Tô chegando a galope pra te ver.
Encharcado de saudade, te abraçar.
Esperando, nos teus olhos,
encontrar a paz que eu procurei,
mas não encontro em outro olhar.
Me perdoa, amor…

Pega a minha mão.
Me diz pr’onde você quer que eu vá, já fui.
Abre essa janela pr’eu poder te ver,
que hoje eu resolvi cantar meu coração.
Vai, me arruma um jeito pr’eu te alcançar,
que teu muro é alto, e eu não sei voar, meu bem.
Me perdoa, amor…não vou mais tentar te esquecer.

Prerrogativas Essenciais Básicas

Composição: João de Azevedo

Sou, sem ter você, sentido algum.
Sem dar razão, seu – sem te ter,
tirar ou pôr, ou ter por que.
Teu – sem querer. (E por que não?)

Eu me faço mudo
perto ou longe de você, me entrego.
Nego os meus impulsos.
Faço das entranhas poço.
Pulo – só pra ver se te alcanço.
Canso. Mas se vejo, em pranto,
a tua face, logo faz-me ver:
os desencantos – tolos, tantos – que me afligem,
tal como você, não comovem.

Desalento

Desalento
Composição: João de Azevedo
Música: Demodee

Tudo que eu quero,
eu posso imaginar como seria;
Se me fosse dado o luxo de desejar algo um dia…

Tudo que eu desejo,
eu tenho que esperar bem mais que pouco.
Se eu não fico louco,
é por pensar que é mesmo assim…

Foge-me ao saber os tais porquês perante os fins.

Enquanto você se debulha em lágrimas sem solução,
você tem tudo que bem quer.

Tudo que eu desejo, eu tenho que esperar. E esperar.
Tudo que eu eu quero, eu posso imaginar (imaginar).

Tudo que eu desejo, eu tenho.
Tudo que eu quero, eu posso – imaginar, imaginar.

Cinza

Composição: João de Azevedo

Eu vejo manchas no espelho,
e fecho os olhos sem saber
a qual dos três falta mais pedaços.

Enquanto a euforia me consome,
ainda me escorre por entre os dedos.
Ameaço um sorriso – cheio dos meus medos.

Às minhas costas,
o velho sobrado cor-de-frio desafia a gravidade
do enredo que a pouco assistia.

Quando a luz apaga,
eu deixo as velas onde estão.
Cego, eu enxergo bem melhor:
tudo que eu vejo é em vão.

Quando a luz apaga,
eu deixo as velas onde estão.
Cego, eu enxergo bem melhor:
tudo que eu vejo é vil e vão.

Eu vejo manchas no espelho.
Em desespero, lavo o rosto.
Sinto ainda o gosto morno do teu beijo Doce agonia.

Eu que achei te conhecer, fui perceber:
antes que se veja o caminho errado,
todo ele é certo; é sorte e esperança.

Quando Não Houver Mais Rimas a Fazer

Composição: João de Azevedo

Quando não houver mais rimas a fazer
e não restar nenhum refrão,
ou verso-feito a repetir, nem trocadilho a recorrer,
talvez, então, vão se importar em ter algo a dizer.

Quando não houver vazio a preencher,
e não restar comparação, necessidades a atender,
expectativas a superar, daí, então, vocês vão perceber:
não cabe a ninguém, me completar.
Só me basta quem me faça ir além.

Eu vou gritar
tão baixo que só você vai me ouvir.
Vou evitar chamar atenção.
Serei tão simples quanto eu possa ser.
Serei tão seu quanto eu já sou.

E tudo que eu ousar te dizer
será tão verdade quanto clichê.
Talvez porque eu seja mesmo assim:
metade teu, metade em ti.